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Foi anunciado na última terça-feira nos Estados Unidos que o disco “Jazz Samba”, gravado em 1962 pelo saxofonista Stan Getz e o violonista Charlie Byrd, lançado pela Verve, entrou para o Hall da Fama do Grammy.

O disco está classificado na categoria jazz e tem 7 faixas, sendo que 6 são de compositores brasileiros. São elas: “Desafinado” e “Samba de uma Nota Só”, ambas de Tom Jobim e Newton Mendonça; “O Pato”, de Jayme Silva e Neuza Teixeira; “Samba Triste”, de Baden Powell e Billy Blanco; “É Luxo Só” e “Bahia”, ambas de Ary Barroso e por último, “Samba Dees Days”, de Charlie Byrd.

Segundo a organização do Grammy, os discos e as músicas escolhidas representam “os triunfos e conquistas da arte de gravar músicas”. A seleção considera laurear gravações com no mínimo 25 anos e que tenham “significado histórico ou qualidade duradoura”. A gravação ficará exposta na galeria do Museu do Grammy, em Los Angeles.

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Via Folha Online

A chance perdida

Alhures o que escreví sobre os jogos da 36º rodada que poderiam decidir o campeonato brasileiro, deu-se em parte como fato, porém, o imponderável também se fez presente, desapontando milhões de rubro-negros, nos quais me incluo. Os 2 pontinhos que separavam Flamengo e São Paulo, agora são apenas 1, faltando 2 jogos para o término do brasileirão. É quase inacreditável, mas o Flamengo em pleno Maracanã, com 90 mil almas, desperdiçou a chance de ouro para assumir a liderança da competição, com uma atuação pífia diante do Goias, não saindo de um zero a zero. Os dois pontos que deixamos de faturar neste domingo, foi o presente de Papai Noel que o Flamengo deu para o São Paulo. Ficou mais difícil.

O Botafogo que fez um jogo duríssimo com o São Paulo e ao contrário do que muitos julgavam como tarefa improvável, fez a sua parte e detonou os paulistas no Engenhão. Horas mais tarde, os jogadores do Flamengo contrariariam a frase composta em um belíssimo mosaico formado por 90 mil rubro-negros nos anéis inferior e superior do Maracanã, que dizia: “A Maior Torcida do Mundo Faz a Diferença”. Pois é. Acho que a energia vinda das arquibancas, não foi suficiente para oxigenar os espíritos que em campo, deram prova de total incompetência para fazer um mísero golzinho. O Flamengo desperdiçou a chance de assumir a liderança, de depender apenas de seus resultados e assim poder alcançar o almejado hexacampeonato, mas meu rubronegrismo trai minhas convicções e portanto, mesmo que mais difícil, eu ainda acredito.

As finais no Maraca e no Engenhão

O campeonato brasileiro aproxima-se de seu desfecho e Flamengo e São Paulo estão separados por apenas dois pontinhos. Particularmente, acho que a final do campeonato decide-se neste domingo – 36º rodada -, quando o São Paulo enfrenta o Botafogo no Engenhão, enquanto o Flamengo enfrenta o Goias no Maracanã. Flamengo e São Paulo, disputam diretamente o título, o Botafogo terá que vencer para afastar-se definitivamente da zona de rebaixamento e o Goias luta por no máximo, disputar a sul-americana do ano que vem.

É insofismável que os últimos três campeonatos foram maculados por péssimas arbitragens e este não foi diferente, mas é futebol. O torcedor revolta-se, diz que é marmelada, que não acompanhará mais, mas estamos todos aí, com o Maraca lotado para a partida de amanhã contra o Goias, com público perto de noventa mil. Casa cheia.

É verdade que o hexacampeonato do Mengão nunca esteve tão próximo nos últimos anos e é bem possível e disso não duvido, que a torcida do Flamengo se divida entre o Engenhão e o Maraca. Os que não conseguiram ingresso para o jogo no Maracanã, certamente deverão reforçar a torcida do Botafogo no Engenhão, afim de secarem o São Paulo com mais eficiência. Neste sábado sou botafoguense desde garotinho, mas colocar camisa do rival e ir ao Engenhão gritar “Fogo”….aí já é demais. Vou dar a minha secadinha mas, longe do Engenhão.

Do álbum

Reógio Mesbla

Relógio Mesbla

Foto: Marcelo Karam

Do álbum

Galo na coleira?


Galo na coleira?

Essa eu nunca vi!!
Foto: Marcelo Karam

Com a Benção de Menescal

Purista mas nem tanto. Explico: como apreciador e ouvinte contumaz de bossa nova, abro passagem também ao experimento, mas, contanto que seja bom. Ora, porquê só um banquinho e um violão? “Uma Batida Diferente” (2004) do BossaCucaNova já está na estante. Demorei!

Conheci o som do BossaCucaNova (tudo junto mesmo) em 2002, ouvindo um clip aqui outro acolá, e senti um beat novo, e falei: esse pessoal está fazendo algo novo em cima do que existe, mas, com a coerência de não descaracterizar o que é característico na construção da bossa nova, que é ser moderna, fácil e agradável de se ouvir. Se mantém fiel aos princípios, experimentam sem rebuscar. Tudo na medida.

O grupo que já em 2002, recebeu nomeação para concorrer ao Grammy Latino com o disco “Brasilidade”, re-visita as composições clássicas do gênero, com introdução da música eletrônica e cada canção aparece diferente, com um tempero de arranjos bem resolvidos. É batida de bossa nova? Não e sim (as vezes). Mas é canção de bossa, com a batida diferente.

O BossaCucaNova é formado por DJ “Marcelinho” Dalua, nos scrathes e na programação, Alex Moreira, nos teclados e preogramação e Marcio Menescal, baixos, vocais e programação. O repertório do “Uma Batida Diferente”, traz intérpretes vocais, que vai dos mais populares, aos que podem ser considerados cult.

Todas as doze faixas são muito boas, com potente time de compositores, mas destacaria aqui as seguintes: “Bom Dia Rio (Posto 6)” de BossaCuca e Nelson Motta, com belíssima introdução de Jaques Morelenbau no violoncelo, com vocais de Cris Delano e Roberto Menescal; depois “Previsão” de Adriana Calcanhoto e BossaCuca, com Leo Gandelman no sax tenor e Roberto menescal no violão, com vocal de Adriana Calcanhoto; depois “Just a Samba” de BossaCuca e Celso Fonseca (de “Slow Motion Bossa Nova”), com voz, violão e guitarra de Celso Fonseca; depois “Águas de Março” de Jobim com uma pitada de flauta de Danilo Caymi e Roberto Menescal ao violão; finalizando com, “Onde Anda Meu Amor” de Orlan Divo (de (…) sentado na calçada de canudo e canequinha, Tum-plact-plim) e Roberto Jorge, acompanhado do tradicional chaveiro percussivo de Orlan Divo, com vocais do próprio Orlan Divo e Cris Delano.

O disco conta também com participações de Marcos Valle, Simoninha, Zuco 103, Trio Mocotó, entre outros. O BossaCucaNova tem a benção do mestre Roberto Menescal, o disco é bom, portanto corre lá, que você ainda acha.

Abaixo, uma degustação que encontrei no YouTube de “Bom Dia Rio (Posto 6)”

Quatro Por Quatro

Sempre imperdível qualquer apresentação individual de Paulo Moura, Leo Gandelman, Mauro Senise ou Nivaldo Ornelas, mas quando as quatro palhetas reúnem-se em um espetáculo, a presença é imprescindível.

Impecável a estréia de “4/4″, encontro dos quatro melhores saxofonistas brasileiros, em duas únicas apresentações no Teatro Ginástico. Paulo Moura no alto de seus 76 anos está em plena forma, tocando sua afinadíssima e bonita clarineta, toda em acrílico, e trajando figurino sempre muito elegante, com sapatos bicolor e chapéu de palha panamá.

Leo Gandelman, Mauro Senise e Nivaldo Ornelas, não menos sublimes. Os destaques no repertório do “4/4″ foram os solos de Leo Gandelman, tocando a linda “Furuvudé” de sua autoria, Senise abrindo o show, interpretando Tom Jobim com “Andorinha”, depois “Look To The Sky”, Ornelas tocando “Nova Granada” de sua autoria e Paulo Moura com a sua “Tempos Felizes”. Ao final vieram todos juntos, tocando “Roque Novo” de Ornelas. A constelação estava bem acompanhada, com teclado, contrabaixo e bateria, com destaque para o contrabaixista André Vasconcellos, com ótimos solos intermediários.

A luz, foi muito bem cuidada também, com cores e projeções de efeitos inusitados, com muito bom gosto. 4/4 fica até 4 de novembro no Ginástico, um teatro bastante confortável, muito bem climatizado e muito bem cuidado pelo SESC.

A Obra de Iberê Camargo

Existem coisas que não esquecemos e que ficam meio que impregnadas em nosso sistema sensorial. As vezes um aroma, uma música, uma imagem, um lugar, enfim, algo que nos remete a um tempo ou sentimento passado.

Isto posto, ainda garoto, lembro-me muito bem de uma pintura a óleo de talvez um metro e quarenta por um metro, na sala de meu avô, que me despertava enorme curiosidade. Além do grande formato, das cores e da forma abstrata exposta na tela, a obra aguçava-me a curiosidade por sua textura, que saltava a superfície e vez por outra, eu subia no sofá e teimava em passar os dedos sobre a crosta de tinta a óleo sobreposta e escutava sempre um sonoro: “Marceeelooo! Tira a mão daí – já te pedí pra não pôr a mão no quadro”. O quadro em questão, era uma tela da série “Carretéis” de autoria de Iberê Camargo (primeira foto abaixo) , um dos maiores nomes da arte no século vinte.

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Esta obra pertencia (pertencia, pois, a família teve que anos mais tarde, leiloá-la por motivos financeiros) a meu avô e foi adquirida de forma curiosa, estabelecendo-se a mais leal e digna relação entre artista e comprador. Por volta de 1969, em visita a trabalho ao Rio Grande do Sul, meu avô em companhia de minha avó, foram levados por um amigo, ao ateliê de Iberê Camargo, então, ainda em Porto Alegre. No ateliê, meu avô interessou-se por um de seus quadros, mas o valor cobrado naquela ocasião, estava fora de suas possibilidades. Meu avô então, foi embora com pesar, mas com o sentimento que tinha deixado para trás, algo que lhe tinha encantado. Certamente, o irrefutável desejo de meu avô, não passaria despercebido por Iberê.

Meses mais tarde, já no Rio, em sua casa, meu avô receberia um grande engradado de madeira embrulhado em papel, cujo o remetente era….exatamente! Iberê enviara a tela da série “Carretéis”, a mesma que meu avô naquela ocasião, não pôde adquirir. A série “Carretéis”, foi tema percorrido por Iberê a partir do fim dos anos 50, que mesclava o abstracionismo e símbolos figurativos que faziam alusão a carretéis, brinquedo de sua infância em sua cidade natal, Restinga Seca, cidade industrial no interior do Rio Grande do Sul.

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Desembrulhado o volume, junto ao quadro, havia um bilhete de Iberê a meu avô, que dizia o seguinte: “Pague-me quando e da forma que quiser”. Assim se deu. O quadro foi devidamente pago, no período acordado entre eles. Tinha mais ou menos uns 8 anos, mas posso imaginar sua alegria, pois meu avô tinha verdadeiro amor por esta tela, e pude testemunhar isso, durante os anos que se passaram. Como tudo de Iberê, esta tela era belíssima. A tela ganhou discreta moldura em Jacarandá e permaneceu com meu avô por quase vinte e cinco anos.

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Iberê Camargo nasceu em 1914 em Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul e passou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro. Iberê morreu em 1994 aos 79 anos em Porto Alegre. Deixou um acervo com mais de sete mil obras, entre pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Grande parte de sua obra integra a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, projeto premiadíssimo de autoria do arquiteto português Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo.

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Além da fase dos “Carretéis”, o acervo é composto por trabalhos de outras não menos geniais fases do artista, como as séries “Idiotas”, “Ciclistas” e “Retratos”, todas magistrais. Quem quiser conhecer mais de Iberê, é indicadíssima a visita ao site da Fundação Iberê Camargo, e que diga-se, é muito bem feito. O endereço é este aqui: www.iberecamargo.org.br .

Um standard por três combos

O standard On Green Dolphin Street, está na lista de minhas favoritas. A composição é de Ned Washington e Bronislaw Kaper. Abaixo, este maravilhoso clássico tocado por combos diferentes. O primeiro é com Keith Jarrett com seu Standard Trio; o segundo é Miles Davis com seu antológico sexteto; o terceiro é com o quarteto de John Coltrane.


Um modo de comer o Chanclich

O Chanclich é um queijo árabe, feito com ricota prensada, coalhada seca, zaatar – tempero de ervas finas – e pimenta calabresa. O Chanclich é encontrado em lojas de produtos árabes e são fornecidos com ou sem pimenta. Tradicionalmente, é preparado para se comer da seguinte forma: amassa-se o queijo ou fatia-se fino, azeite a gosto, acompanhado de pão árabe, do tipo folha.

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A minha dica de como se preparar o Chanclich, vem de minha avó materna casada com meu avô, este, filho de libaneses. Então vamos lá: com um garfo, amasse bem uma broa de Chanclich com um pouco de azeite e reserve. Frite dois ovos ao ponto, com gemas moles. Em um prato, misture o queijo amassado aos ovos, até que a pasta fique bem homogênea. Depois salpique um pouquinho de pimenta calabresa um fio de azeite e sal, se necessário. Pronto! Sirva com pão árabe do tipo folha, levemente aquecido ou, com torradas de pão italiano. É só provar!

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